Cem corpos por cem armas
a matemática da morte da operação contenção
DOI:
https://doi.org/10.56073/bfp.v34i1.535Palavras-chave:
Violência, pulsão de morte, cisão, autodestruiçãoResumo
O artigo interroga a indiferença social diante de situações de violência extrema, tomando como cenário exemplar a Operação Contenção – chacina ocorrida no Rio de Janeiro em outubro de 2025. Parte-se do pressuposto de que, contrariamente a uma intensificação e circulação dos afetos, ativa-se um modo defensivo capaz de neutralizar a percepção das experiências, impedindo sua integração subjetiva e, principalmente, sua tramitação na rede de sentido, permitindo que determinados grupos sejam progressivamente apartados do campo de reconhecimento comum. Nessa perspectiva, a substituição discursiva dos cem corpos pelas cem armas, evidencia uma retórica de recobrimento e deslocamento por meio da qual a destruição pode se tornar, simultaneamente, evidente e inoperante, compondo uma forma silenciosa e continuada de destruição social, sustentada menos pela impossibilidade de perceber a violência do que pela dificuldade de elaborá-la e reconhecer-se implicado em seus efeitos.
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