A interdição da elaboração do luto no século XXI

Autores

  • Douglas Barros

DOI:

https://doi.org/10.56073/bfp.v34i1.531

Palavras-chave:

Luto, morte, melancolia, psicanálise, sociedade contemporânea

Resumo

Este artigo analisa a transformação do luto na sociedade contemporânea, sustentando que a negação e a gestão institucional da morte enfraquecem a elaboração simbólica e intensificam formas melancólicas de sofrimento. Com base nas formulações de Freud em Luto e melancolia, Transitoriedade e Totem e tabu, retoma-se a função estrutural do luto na constituição da subjetividade e da cultura. Se o luto implica um trabalho de desligamento e reorganização simbólica diante da perda, a aceleração temporal e a medicalização contemporâneas tendem a abreviar esse processo. O argumento é aprofundado com a concepção lacaniana da morte como irrupção do real, que exige uma reconfiguração discursiva da realidade. Nessa perspectiva, o luto é compreendido como produção de um novo discurso, capaz de tratar a perda. A invisibilização contemporânea da morte compromete, assim, a elaboração subjetiva e coletiva, contribuindo para experiências depressivas características da modernidade tardia.

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Publicado

2026-11-04

Como Citar

BARROS, Douglas. A interdição da elaboração do luto no século XXI. Boletim Formação em Psicanálise, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 134–147, 2026. DOI: 10.56073/bfp.v34i1.531. Disponível em: https://revistaboletim.emnuvens.com.br/revista/article/view/531. Acesso em: 4 nov. 2026.

Edição

Seção

Artigos