Cuidando do cuidador

Poder e sofrimento psíquico na residência médica

Autores

  • Maria Luiza Ferreira Forjaz Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Marina Ferreira da Rosa Ribeiro Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Instituto Sedes Sapientiae.

Palavras-chave:

sofrimento psíquico, relação médico-paciente, onipotência/impotência, prática médica, urologia, residência médica

Resumo

As autoras descrevem o trabalho com um grupo de residentes de urologia com o objetivo de promover um campo de reflexão da prática médica a partir do enfoque psicanalítico. O grupo teve como um de seus objetivos ampliar a captação da subjetividade na relação médico-paciente, sensibilizando o olhar clínico, para além da objetividade da consulta médica. Foi possível trabalhar sobre as escolhas feitas no cotidiano dos atendimentos valorizando a relação interpessoal, desenvolvendo a capacidade de diagnosticar o paciente e não somente a doença. Os estudantes familiarizaram-se com conceitos psicanalíticos, a partir de situações clínicas apresentadas por eles ao grupo. Observamos na escolha da profissão de médico a fantasia do poder, da imunização à dor, à doença e à morte, o que leva o estudante, no período da residência, a sofrer vários golpes narcísicos. O médico é treinado para salvar, curar, servir e, na maioria das vezes, se sente demasiadamente responsável pelo paciente. Diante do naufrágio de tais ideais, os limites são experienciados como extremos, eclodindo sentimentos de inadequação e culpa. Colaborar com a estrutura egóica do residente para enfrentar as situações traumáticas a que estará exposto ao longo da vida profissional poderia ser de grande valia na formação do médico.

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Biografia do Autor

Maria Luiza Ferreira Forjaz, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pela PUCSP e candidata da SBPSP.

Marina Ferreira da Rosa Ribeiro, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Instituto Sedes Sapientiae.

Psicanalista, mestre e doutoranda em Psicologia Clínica pela PUCSP, membro efetivo do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae e professora de cursos de expansão neste mesmo Instituto.

Referências

BALINT, M. (1964). Psicanálise e prática médica. In: A experiência Balint: História e atualidade. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994. cap. II, p. 20.

FREUD, S. (1912). Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, v. XII. Rio de Janeiro: Imago, 1969.

HOSSNE, W. S. Competência do médico. In: SEGRE, M.; COHEN, C. (Org.). Bioética. São Paulo: Edusp, 2002.

LUZ, P. Morte: O médico diante do inevitável. In: Nem só de ciência se faz a cura: o que os pacientes me ensinaram. São Paulo: Atheneu, 2001. cap. 15, p. 77.

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Publicado

2007-10-17

Como Citar

FORJAZ, Maria Luiza Ferreira; RIBEIRO, Marina Ferreira da Rosa. Cuidando do cuidador: Poder e sofrimento psíquico na residência médica. Boletim Formação em Psicanálise, São Paulo, v. 15, n. 1, p. 39–54, 2007. Disponível em: https://revistaboletim.emnuvens.com.br/revista/article/view/371. Acesso em: 1 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos