Cuidando do cuidador
Poder e sofrimento psíquico na residência médica
Palavras-chave:
sofrimento psíquico, relação médico-paciente, onipotência/impotência, prática médica, urologia, residência médicaResumo
As autoras descrevem o trabalho com um grupo de residentes de urologia com o objetivo de promover um campo de reflexão da prática médica a partir do enfoque psicanalítico. O grupo teve como um de seus objetivos ampliar a captação da subjetividade na relação médico-paciente, sensibilizando o olhar clínico, para além da objetividade da consulta médica. Foi possível trabalhar sobre as escolhas feitas no cotidiano dos atendimentos valorizando a relação interpessoal, desenvolvendo a capacidade de diagnosticar o paciente e não somente a doença. Os estudantes familiarizaram-se com conceitos psicanalíticos, a partir de situações clínicas apresentadas por eles ao grupo. Observamos na escolha da profissão de médico a fantasia do poder, da imunização à dor, à doença e à morte, o que leva o estudante, no período da residência, a sofrer vários golpes narcísicos. O médico é treinado para salvar, curar, servir e, na maioria das vezes, se sente demasiadamente responsável pelo paciente. Diante do naufrágio de tais ideais, os limites são experienciados como extremos, eclodindo sentimentos de inadequação e culpa. Colaborar com a estrutura egóica do residente para enfrentar as situações traumáticas a que estará exposto ao longo da vida profissional poderia ser de grande valia na formação do médico.
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Referências
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