A aplicação clínica dos conceitos de neutralidade e de abstinência ontem e hoje
Palavras-chave:
Neutralidade, AbstinênciaResumo
Um convite para participar de um painel no XVIII Congresso Brasileiro de Psicanálise foi o estímulo para o desenvolvimento deste trabalho. Nele, o autor examina os conceitos clássicos de neutralidade e de abstinência, conforme definidos no início da Psicanálise, realiza um exame crítico a seu respeito e apresenta sua própria visão desses conceitos. Tomando como ponto de partida o filme Esposamante, de Mário Vicário, introduz, a partir da personagem principal, os modelos do observador‑neutro e do observador‑participante. Isto lhe permite desenvolver a pergunta: que tipo de observador é o psicanalista? Cada um desses dois modelos estaria relacionado, historicamente, às várias concepções de ciência e, clinicamente, à angústia do analista em cada momento da sessão. Ambos os modelos de observação — e a tensão entre eles — são então examinados em alguns trabalhos de Freud (nos quais o tema aparece de forma controversa), de Paula Heimann, de Hanna Segal e de Bion. Finalmente, inspirado no conceito de transformações (Bion), apresenta sua própria ideia — ilustrada com fragmentos de sua clínica — de que o analista participa de uma experiência emocional, está comprometido com ela e é apenas desse lugar que poderá realizar suas próprias observações (pensar).
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