Repensando o feminino
a intrincada relação entre mães e filhas
Palavras-chave:
feminilidade, relação mães e filhas, questão transgeracional, homossexualidade feminina, corpo, conflito, rêverieResumo
Neste trabalho, procuramos pensar a especificidade do desenvolvimento do feminino a partir da intrincada trama da ligação entre mães e filhas, matriz a nosso ver, por excelência das vicissitudes e sortilégios da feminilidade. Os inúmeros conflitos gerados na tentativa de separar-se da mãe ao mesmo tempo em que a menina e a mulher vivem uma intensa e permanente identificação com ela, dão origem a experiências especificamente femininas, que permearão e determinarão o seu desenvolvimento ao longo de toda a vida. Trata-se, então, de uma contínua oscilação entre aproximar-se e distanciar-se da figura materna, explicitados nos momentos críticos da vida da mulher: menarca, maternidade, menopausa e envelhecimento. Pensamos, portanto, que o intenso e permanente vínculo com a figura materna, real e fantasiada, externa e interna, assim como os intensos afetos de amor e ódio que regam permanentemente esta relação são determinantes da especificidade da maneira de viver da mulher, tanto na sua relação com o masculino e nas suas relações com autoridade e poder, quanto nas possibilidades de desenvolvimento de sua criatividade, seja ela sexual, afetiva ou intelectual. Utilizamos, para pensar estas questões, exemplos da nossa clínica e a literatura disponível sobre as questões femininas (homossexualidade, questão transgeracional, etc.), questões que vêm sendo revistas por muitos analistas, em sua grande maioria mulheres, e que têm mostrado a necessidade de se repensar as idéias sobre o desenvolvimento feminino a partir de novos paradigmas.
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Referências
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